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Yara
Carvalho, professora da USP/SP,
doutora em Saúde Coletiva pela Unicamp/SP,
autora do livro O Mito da atividade física e saúde (Editora
Hucitec-1995)
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Fadiga,
Exercício e Alimentação |
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A fadiga é definida como o conjunto de manifestações produzidas
por trabalho, ou exercício moderado e prolongado, acarretando
diminuição da capacidade funcional de manter o rendimento
esperado. Do ponto de vista fisiológico, ela é definida como
incapacidade para manter o poder de rendimento em exercícios
de resistência e em situações de treinamento. Atualmente,
para efeito de estudos, ela é dividida em duas: fadiga periférica
e fadiga central. Essa divisão baseia-se em fatores metabólicos
(ou seja, em fatores relacionados aos alimentos em transformação
no organismo) que, no caso da fadiga periférica, afetam os
músculos, e, no caso da fadiga central, afetam o cérebro.
Com relação às alterações metabólicas durante a atividade
física contínua, é importante a intensidade na qual a atividade
é realizada. Nas pesquisas que investigam a fadiga relacionada
ao exercício, a medida da intensidade é dada pelo consumo
máximo de oxigênio (VO2máx) e a intensidade situa-se entre
60% e 90% de VO2máx durante um período de tempo determinado.
Durante exercício intenso e prolongado a fadiga relaciona-se,
principalmente, com a hipoglicemia, com a baixa quantidade
de glicose (açúcar) no sangue.
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Em
intensidades de exercício mais altas e de curta duração (90%
do VO2máx), parte da energia necessária para a atividade destina-se
à produção de metabólitos (substâncias que resultam do metabolismo),
cujo acúmulo provoca diminuição do rendimento. Durante muito
tempo o papel da proteína (elemento essencial de todas as células
dos seres vivos, encontrado no reino animal e vegetal) e dos
aminoácidos na atividade física foi deixado em segundo plano.
Nos últimos trinta anos, os estudos dedicaram-se ao efeito da
atividade física no metabolismo de carboidratos e gorduras.
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Por
exemplo, no caso dos carboidratos, já há estudos que comprovam
que, se durante a atividade física prolongada, ingerirmos suplementos
de carboidratos teremos retardamento dos sintomas da fadiga
central e, paralelamente, haverá benefícios aos mecanismos periféricos
da fadiga.Os neurotransmissores (substâncias que levam informação
de uma célula cerebral para outra) também têm sido objeto de
investigação. A dopamina foi o primeiro neurotransmissor a ser
estudado em relação à fadiga central. Sua relação com o exercício
induz praticantes de atividade física a ingerir drogas, como
as anfetaminas, a fim de melhorar desempenho, e também tem sido
utilizada para perda de peso, como inibidora de apetite.Outro
neurotransmissor importante é a serotonina que atua no sono,
na formação da memória, no humor, na supressão do apetite e
nas alterações na percepção do esforço. Já existem evidências
de que ela altera a "performance" durante o exercício prolongado.
Estes conhecimentos são relevantes porque, por meio de dieta
ou do uso de fármacos, é possível modificar condições para a
prática da atividade física. Assim, é viável aumentar o tempo
de exercício até o aparecimento de sintomas de fadiga, que podem
ser atenuados mas não evitados. Entretanto, ainda que os estudos
a respeito da fadiga associada ao exercício e à alimentação
tenham aumentado nos últimos tempos, eles são incipientes. E,
por razões éticas, a maioria dessas pesquisas são realizadas
com animais, especialmente quando são empregados fármacos. |
A
extrapolação dos resultados para seres humanos ainda não consegue
encontrar a mesma uniformidade. Ou seja, ainda há muito o que
investigar a respeito. Lembre-se: ao ingerir alimentos há mudanças
relativas às condições do nosso corpo, no entanto, ainda pouco
se sabe, ao certo, em que medida e de que forma essas alterações
podem ser construtivas ou destrutivas para melhora do rendimento
na prática do exercício. |
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