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Jornal Gazeta Mercantil SP

 

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Data: 11/10/2002

 

Consumo de comida congelada em alta

Depois do racionamento vem a bonança: empresas devem vender 20% a mais em 2002

 

Por Luciana Bittencourt do Rio

 

 

 

       Empresas especializadas em refeições congeladas respiram aliviadas no último trimestre do ano. A expectativa de crescimento gira de 15% a 20% e o faturamento anual pode chegar a R$ 5 milhões.

       Um dos motivos do incremento do setor foi justamente o racionamento de energia, que estimulou a busca de equipamentos e ações que reduzissem o consumo de energia elétrica em até 40%.

       A empresa
Congelados da Sônia, com 16 anos no mercado fluminense e três em São Paulo, crescerá 20% em 2002. A direção do grupo acredita que metade do aumento deve-se à superação da crise e vê novamente o aquecimento do segmento. ´Os outros 10% são decorrentes dos lançamentos e promoções que realizamos´, justifica a diretora de marketing, Adriana Carpegiani.

       Especializada em alimentos congelados light e diet, a empresa apostou, pelo menos, em três lançamentos: a Dieta de 2 Dias, a Porção Jumbo e um pacote especial da dieta Body for Life. Por meio das vendas destes produtos, Adriana estima conquistar 10% a mais de clientes.

       Para manter a média de 5 mil consumidores ativos, dos 70 mil cadastrados, a
Congelados da Sônia, se empenha em variar sempre o mix de produtos. ´Conversamos muito com o cliente e buscamos atender as suas expectativas. Todas as novidades, são respostas aos pedidos dos consumidores´, comenta Adriana.

       Passado o susto do racionamento, que levou a
Congelados da Sônia a um desembolso de até R$ 200 mil reais com equipamentos, a empresa pretende se consolidar no mercado paulista e melhorar a sua atuação no estado do Rio. de acordo com Adriana, a empresa deve crescer mais 15% em 2003. ´Para o próximo ano, as nossas ações estarão focadas no marketing na internet e na mala direta´, aponta a diretora de marketing.

       Adriana, inclusive, acha que é um bom momento para o setor dos congelados, diante da expansão do setor. ´Nos últimos cinco anos, aumentou a oferta de refeições congeladas, principalmente, enfocando a linha light e diet. ´Acho ótimo, porque acaba divulgando o segmento e criando hábito de consumo´, opina Adriana.

       Também, tradicional no Rio, a Deep Freeze, há vinte anos em atividades comemora a volta da estabilidade. ´Depois de uma queda de 40% em vendas em 2001, devemos crescer 15% este ano´, estima Luiz Eduardo Jardim, diretor da empresa.

 

       Como a Congelados da Sônia, a Deep Freeze conquista o crescimento graças a reengenharia para reduzir o consumo de energia e de muita criatividade para desenvolver promoções e apelos com o intuito de diminuir a queda da demanda. ´Chegamos a dar dicas de como usar o freezer sem exceder os gastos; reduzimos o tamanho dos pacotes das refeições para diminuir o tempo de armazenamento; e até disponibilizamos guardar a comida nos nossos freezers´, lembra o empresário.

       O problema foi superado, como também a Deep Freeze acaba de desenvolver um novo produto, o kit refeição - no qual o cliente escolhe as porções e monta o seu prato de acordo com a sua preferência. O lançamento fez com que conquistasse um novo nicho: a pessoa jurídica. ´Há seis meses, apareceu a primeira empresa. Hoje, são três. O público-alvo, são executivos, de nível gerencial, que não têm tempo de deixar o escritório na hora do almoço´, explica Jardim.

       O sucesso da refeição personalizada foi tanto, que estendeu o produto a pessoa física. Porém, o objetivo é ampliar a atuação em empresas. ´O serviço dá um pouco mais de trabalho, porém tem uma margem de lucro um pouco melhor´, aponta o empresário, que emprega 25 funcionários na fábrica localizada na Tijuca. A Deep Freeze conquistou 10 mil clientes nas duas décadas de atividades e mantém 3 mil consumidores ativos.

 

 

Concorrência cresce no setor

 

          A esteticista, empresária e também mulher do humorista Chico Anysio, Malga di Paula, depois de abrir o Relax Day Spa, no shopping Barra Garden, há dois anos, lança a Diet Cooking, empresa especializada em comida congelada com proposta de oferecer alimentos saudáveis e de baixa calorias.

       Atenta às oscilações e aberturas do mercado, a empresária aposta em nichos ainda pouco explorados, utilizando técnicas orientais, como a massagem e terapia do som para desintoxicar o organismo. Também traça estratégias que levarão a sua marca para todo o País por meio da venda de cosméticos com marca própria e da implantação de mini-spas.

       Somando as atividades de alimentos congelados e do spa, Malga estima um faturamento bruto de cerca de R$ 3 milhões para 2003.

       O Relax Day Spa dobrou de tamanho desde que foi inaugurado. A ampliação continua até dezembro, quando ganhará uma sala para a prática de Pilates e ocupará 800 . O investimento para a ampliação é de R$ 600 mil e o próximo passo será a instalação em outros bairros de pequenos spas, oferecendo os serviços mais requisitados da empresa. ´Elaboramos um novo formato para o spa e gostaria de levá-lo para as principais capitais´, almeja Malga. A instalação do novo conceito está prevista para começar em 2004.

       ´Ano que vem enfocaremos a consolidação da Diet Cooking´, diz Malga. A empresa de congelados existe há 15 anos, mas atuava somente na região Sul. A empresária decidiu comprá-la, reformulou-a e instalou-a no Rio. Localizada em Jacarepaguá, a fábrica recebeu investimento de R$ 150 mil. ´O cliente do spa pedia por um serviço como este. Realizamos uma pesquisa de mercado e achamos viável´, explica.

       O Diet Cooking consiste numa cozinha industrial que produz alimentos para diabéticos e pessoas que querem perder peso. A produção tem a supervisão de uma nutricionista, que elabora programas e dietas alimentares. Na loja, no Barra Garden, vende-se as refeições e os programas. Há também o serviço delivery para todo o País. ´As pessoas querem comer bem, ter saúde, emagrecer, tudo sem ter trabalho. Acho que este segmento tem muito a crescer´, opina Malga, que também está pronta para oferecer coquetéis. A expectativa inicial é faturar R$ 40 mil/mês e a empresária acredita que o custo médio por cliente será de R$ 200 por semana.

       Ao todo, as duas empresas de Malga empregam 35 pessoas. O spa cresceu 50% em 2002 e conquistou 3 mil clientes cadastrados. 


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